MULHER, TAMBOR, E REVOLUÇÃO: Legado feminino, memória e empoderamento do corpo-território através do tambor e do carnaval
Palavras-chave:
Etnomusicologia Negra, Mulher, Corpo-território, Blocos afro-baianos, Blocos afro-chilenosResumo
O presente trabalho faz uma análise etnomusicológica sobre a influência da música afro-baiana no movimento festivo popular do Chile, apresentando elementos sonoros, musicais, culturais e históricos presentes nas manifestações populares.
Esta abordagem visa trazer a minha experiência, descoberta-transformação, e caminhada enquanto mulher não negra, dissidente, latina, periférica, percussionista, educadora, e pesquisadora formada nas ruas do universo musical-percussivo em territórios de resistência, em busca do empoderamento e abertura destes conhecimentos em espaços acadêmicos e não acadêmicos. Trago como referências a literatura da Etnomusicologia Negra, que valoriza a contribuição dos movimentos sociais negros e da luta negra do mundo, através dos blocos afro de Salvador, blocos afro-chilenos, e das agrupações de mulheres atuantes em Salvador e no Chile.
Na primeira parte do trabalho, apresento o histórico do carnaval do Chile e, na segunda, o histórico do carnaval de Salvador. Na terceira parte, trago similaridades entre os dois movimentos culturais, os elementos centrais, sonoridades, musicalidades, memórias de resistência e desafios presentes em cada um deles. Além disso, abordo as formas em que o carnaval de Salvador está presente no carnaval do Chile através dos elementos mencionados, com especial foco no rol histórico das mulheres na preservação, inovação, atuação, produção e divulgação nos carnavais destes dois territórios. Portanto, afirmo que essas trocas e experiências entre estes territórios são frequentes e de grande importância para entender a relação corpo-território das mulheres na música e nos movimentos culturais de resistência negra, e a sua atuação e impacto no campo da Etnomusicologia Negra.