O SOM DA VISIBILIDADE: Gunga na marcação do caminhar e dos ritmos
Palavras-chave:
cultura; gunga; memória; ressignificação; visibilidadeResumo
Este artigo é um recorte da pesquisa em desenvolvimento de uma tese em filosofia. Nela, os caminhos percorridos têm conduzido a desdobramentos que desvelam meandros vivos e conexões a serem aprofundadas. A pesquisa de campo da tese envolve a observação e análise de algumas festas afro-brasileiras. Nas quais, um universo se abre e nos leva à reflexão por meio de vários elementos. Como: a riqueza da sonoridade de seus cânticos e instrumentos que ora se revezam, ora se sobrepõem num mesclado que enleva o nível da festa ao conduzi-la para dimensões de mundos diversos. Assim, um diálogo entre a etnomusicologia e a filosofia se faz presente através de uma fresta encontrada a partir de uma prática sonoro-musical em seu contexto cultural. Numa dinâmica em que passado histórico e presente coexistem em configurações distintas que refletem e influenciam uma identidade cultural. Além de trazer ressignificações que jogam luz para a dinâmica das adaptações e reinterpretações que criam futuros. Onde o protagonismo narra, ressignifica, como a presente na gunga, um instrumento musical associado ao Congado, ao Reinado, manifestações culturais afro-brasileiras, que em sua materialidade sonora simboliza e reverbera a transformação possível que impede um memoricídio através de novas circunstâncias da visibilidade e que serve de ponto de partida para este trabalho. As festas que fomentaram este artigo foi a da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá – Belo Horizonte – Minas Gerais e a do Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Carmópolis de Minas – Minas Gerais.