Corpo-voz como arquivo vivo:  da Chamada de Aricuri ao teatro físico

Autores

  • Luiz Augusto Martins Universidade Nova de Lisboa Autor

Palavras-chave:

Etnomusicologia performativa; Teatro físico; Corpo-voz; Arquivo vivo; Pankararu, Performative ethnomusicology; Physical theatre; Body-voice; Living archive; Pankararu

Resumo

Esta comunicação analisa a transfiguração da canção ritual “Chamada de Aricuri”, registrada pela Missão de Pesquisas Folclóricas de 1938, em dispositivo dramatúrgico, pedagógico e metodológico no espetáculo The Theatre (2010), do estúdio internacional Farm in the Cave. A partir de uma abordagem situada entre etnomusicologia performativa, pesquisa-criação e teatro físico, o texto articula trabalho de campo junto aos Pankararu, práticas de escuta encarnada e processos de ensaio como formas integradas de produção de conhecimento. Dialogando criticamente com os limites do arquivo colonial, argumenta-se que o corpo-voz do intérprete pode operar como arquivo vivo, deslocando a música ritual da condição de objeto documental para uma prática relacional de transmissão, memória e aprendizagem. Ao acompanhar os desdobramentos cênicos e pedagógicos da “Chamada de Aricuri”, o artigo convida para refletir o teatro físico enquanto meio para constituir um espaço contracolonial de criação e formação, no qual escuta, ética e presença tornam-se eixos epistemológicos do fazer artístico e educativo.

 

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Publicado

15.11.2025

Como Citar

Martins, L. A. (2025). Corpo-voz como arquivo vivo:  da Chamada de Aricuri ao teatro físico. ANAIS- ASSOCIAÇÂO BRASILEIRA DE ETNOMUSICOLOGIA, 1(12), 1-22. https://eventos.abet.mus.br/enabet/article/view/95