Orquestra Afro-Brasileira: espiritualidade e religião
Palavras-chave:
orquestra afro-brasileira, abigail moura, candomblé, umbandaResumo
O presente texto é fruto da disciplina Religiões de Matriz Africana, oferecida pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do IFCH/Unicamp, cursada no segundo semestre de 2023. Procura conectar os textos estudados durante o curso (Antonio Bispo dos Santos, Carmen Opipari, Clara Flaksman, Márcio Goldman, Na’im Akbar e Vânia Zikán Cardoso) com alguns textos importantes da Etnomusicologia (Alan P. Merriam e Anthony Seeger), aplicados à pesquisa de doutorado em andamento sobre a Orquestra Afro-brasileira, coletivo musical negro liderado pelo maestro Abigail Moura, que atuou de 1942 a 1970. O grupo tinha como característica principal a exaltação da herança cultural negra, a partir de seus instrumentos, repertórios e figurinos de inspiração africana e afro-brasileira, sendo a religiosidade do candomblé e da umbanda elementos importantes em sua constituição artística. Serão analisados quatro episódios ocorridos com a orquestra que envolvem questões de ordem de religiosidade de matrizes africanas: a manifestação de Exu durante um concerto; o suposto enlouquecimento da cantora Maria do Carmo durante uma apresentação; a dimensão política do projeto no contexto da época; e a destruição do acervo da orquestra pelos próprios membros do grupo. O trabalho busca compreender a importância da religiosidade de matriz africana na construção artística, musical e política do grupo, além de analisar os episódios supracitados à luz da bibliografia especializada. Tal abordagem se faz necessária para estudar tal grupo, pois gera novas camadas de reflexão e entendimento sobre sua obra musical e trajetória artística, além de desfazer possíveis visões estereotipadas e racistas a respeito de tais episódios abordados.