RESSONÂNCIAS DO CANTO-CORPO NEGRO NA FORMAÇÃO DA MÚSICA BRASILEIRA POPULAR: ELZA SOARES
Palavras-chave:
canto-corpo, ancestralidade, circularidades, performance , Elza SoaresResumo
Resumo
Este artigo apresenta a construção de um novo conceito para o canto negro feminino em diáspora; o canto-corpo. Parto do entendimento empírico que a ressonância vocal vai além do aparelho fonador[1] e se estende por todo corpo no momento da performance. O corpo como extensão da voz em sua expressividade artística; a voz que fala por trás da voz canta; as camadas de silenciamentos reveladas no palco; o ato da performance como insurgência e libertação. Traremos Elza Soares pelo seu papel fundante na música brasileira popular além de ilustrar o que chamamos de canto –corpo em ação, no show “Beba-Me” (2007). A raça como identidade deslocada; a continuidade artística em diáspora (Petit, 2015); a dimensão de tempo espiralar (Martins, 2003, 2024); a escuta como local de criação de signos (Barthes, 1982), a performance como ato de transferência vital reiterando sentidos (Tylor, 2013), voz como sopro existencial (Zumthor, 1997), o lugar de fala e a voz social (Djamila, 2017), a diluição do canto no corpo e do corpo no canto no momento da performance (Agawu, 2016). A interseccionalidade (Crenshaw, 1989, 2012) será base para entender o entrelaçar entre raça, classe, gênero e a sobreposição de estigmas ao falar sobre Elza Soares na música brasileira popular.