Cosmologia Magüta (Ticuna) na Tradução do Hino Nacional
Palavras-chave:
Tradução, Resistência, Ticuna , Cosmologia, Hino Nacional brasileiroResumo
Resumo: Quase cem anos depois da oficialização da letra do Hino Nacional brasileiro, em 2009, o hino foi traduzido pela primeira vez para a língua ticuna, em um trabalho realizado pelo linguista Sansão Flores. A versão indígena ganhou visibilidade por meio da cantora Djuena Tikuna, que a transformou em um símbolo de resistência política. A execução do hino nacional em língua indígena gerou significativas críticas à Djuena no início de sua performance, fundamentadas no argumento de que o hino representa um símbolo de colonização e que, portanto, deveria ser substituído por uma composição autóctone de resistência. Essas objeções, embora compreensíveis do ponto de vista decolonial, foram recebidas como um fator de desmotivação pela artista. No entanto, de acordo com Djuena, a própria escolha de interpretar o hino em língua indígena configura-se como um ato político de resistência, ressignificando um símbolo nacional por meio da reafirmação linguística. Na tradução em ticuna, o sentido do hino é ressignificado: a "terra adorada" não se refere às terras do agronegócio ou do latifúndio, mas sim à na’ane – um território vivo, com personalidade (du’ü), digno de respeito e responsável por sustentar seu povo. A apresentação no GT busca expor essas e outras escolhas de tradução feitas por Sansão, as quais revelam aspectos profundos da cosmologia tikuna (Magüta). Essa versão oferece uma nova leitura do Brasil, ampliando as visões sobre o que constitui a identidade nacional.