DA ESCOLA JABOUR À VINTENA BRASILEIRA: Dimensões sociointerativas e práticas formativas
Palavras-chave:
Vintena Brasileira, Performance Musical, Transmissão Musical, Música Universal, Escola JabourResumo
Este trabalho é um recorte de pesquisa de mestrado que investigou a performance da orquestra Vintena Brasileira (VB), suas relações com a Música Universal, concepção desenvolvida por Hermeto Pascoal, e com os modos de funcionamento da Escola Jabour, espaço de ensaios do Hermeto Pascoal & Grupo. O recorte temático abrange a trajetória formativa de André Marques – pianista, compositor e fundador da VB – nos ensaios no Jabour, sua posterior atuação docente nas aulas de “Ritmos Brasileiros” no Conservatório de Tatuí e em oficinas permanentes em Sorocaba, etapas que antecederam a consolidação da orquestra, em 2003. Com base em entrevistas semiestruturadas, registros audiovisuais e materiais documentais, a análise buscou compreender como essas experiências contribuíram para a constituição de um vocabulário musical partilhado por meio de estratégias de criação, oralidade/auralidade e interação. Argumenta-se que tais procedimentos foram fundamentais para a formação da Vintena como grupo e permaneceram como referência após sua consolidação. A pesquisa ancora-se nos estudos da performance em perspectiva etnomusicológica, que concebem a performance como processo no qual práticas, experiências e significados se entrelaçam. Essa abordagem permite compreender a música para além do produto, como ação coletiva atravessada por contextos sociais, modos de transmissão e formas de interação. O texto examina como as práticas anteriores à orquestra conformaram modos específicos de invenção e compartilhamento de saberes musicais, marcados pela centralidade da intuição como forma de elaboração, pela prática coletiva como espaço de formação e pela criação em tempo real como procedimento estruturante.