O BEIJO DE MARIA PRETINHA:Opressão e interseccionalidade na representação feminina em um folguedo do Cariri cearense

Autores

  • Ricardo Nogueira de Castro Monteiro UFCA Autor
  • Maria da Conceição Silva Souza UFBA Autor

Palavras-chave:

Etnomusicologia; Guerreiro; Semiótica Existencial; Interseccionalidade; reparação epistêmica.

Resumo

Nossa pesquisa investiga as representações da opressão de gênero, classe e etnia em folguedos populares – focalizando uma apresentação do Guerreiro de Mestre Cosmo Lima gravada a 30/12/2019 em Juazeiro do Norte (CE), com especial atenção à peça Maria Pretinha e seu contexto. O objetivo é discutir como esse folguedo, associado ao ciclo natalino e à religiosidade popular, incorpora e questiona discursos de subalternização através de sua performance sincrética. A fundamentação teórica baseia-se na Semiótica Existencial de Eero Tarasti – que permite a análise de manifestações sincréticas articulando corporalidade, identidade, interações sociais e visão de mundo através do chamado modelo zêmico –, bem como nas contribuições de Stuart Hall sobre discurso e poder. Dialoga-se ainda com o conceito de interseccionalidade de Kimberlé Crenshaw, evidenciando-se a sobreposição de opressões sofridas pela personagem analisada. A metodologia envolve a análise semiótica da peça Maria Pretinha, considerando texto verbal, coreografia, música e elementos visuais da performance. A narrativa apresenta um processo de degradação social e existencial de uma personagem mulher, negra e pobre que é abandonada, estigmatizada, encarcerada e explorada sexual e afetivamente. Discute-se ainda a relação dessa representação com arquétipos culturais como a Pomba Gira, bem como a articulação entre representações do grotesco e sublime, segundo a perspectiva de Tarasti. Os resultados da pesquisa, ao evidenciarem a representação crítica da opressão interseccional gerada em uma comunidade socialmente vulnerável, apontam para uma reparação epistêmica que reconhece a sofisticação estética e a consciência social de uma expressão artística essencialmente comunitária, ainda que articulada por seus mestres.

Biografia do Autor

  • Maria da Conceição Silva Souza, UFBA

    Maria da Conceição Silva Souza, nome artístico Aline Souza, é professora de ballet, bailarina, diretora artística e pesquisadora em dança, atuante na região do Cariri, Ceará. Possui registro profissional de artista (DRT 1340/CE) e formação em Educação Física pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), com pós-graduação em Estudos Contemporâneos em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

    Ela trabalha nas áreas de ensino, criação artística e pesquisa, participando há mais de uma década da cena da dança carirense, tanto como professora quanto como intérprete e diretora. Atua como docente em cursos livres de dança e projetos educacionais, incluindo atividades na Associação Dança Cariri.

    Como bailarina, integrou companhias importantes da região, como a Alysson Amâncio Companhia de Dança, participando de espetáculos e eventos relevantes, inclusive na Bienal Internacional de Dança do Ceará.

    Além da atuação como professora e bailarina, dirige artisticamente espetáculos de ballet com alunos, como produções realizadas em instituições educacionais da região, consolidando seu papel na formação de novos bailarinos.

    Sua atuação profissional inclui ainda atividades como diretora, cantora e pesquisadora, sendo reconhecida como uma das agentes relevantes na formação e consolidação da dança no Cariri contemporâneo.

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Publicado

15.11.2025

Edição

Seção

GT 4- Mestras e mestres das culturas populares: Alteridade (es), reparação e diversidade de práticas e saberes musicais

Como Citar

Nogueira de Castro Monteiro, R., & Silva Souza, M. da C. (2025). O BEIJO DE MARIA PRETINHA:Opressão e interseccionalidade na representação feminina em um folguedo do Cariri cearense. ANAIS- ASSOCIAÇÂO BRASILEIRA DE ETNOMUSICOLOGIA, 1(12), 1-30. https://eventos.abet.mus.br/enabet/article/view/72