Forró e Religiosidade: A Jurema, o Candomblé e o Cristianismo
Palavras-chave:
Etnomusicologia Negra, Estudos do Forró, Forró , Tradições AfroBrasileirasResumo
Este artigo investiga como diferentes expressões religiosas, de matrizes indígenas, africanas, afro-brasileiras e cristãs (católicas e evangélicas), são representadas nas letras do forró A pesquisa articula análises de composições, audição de canções disponibilizadas no Arquivo Nacional e outras plataformas, entrevistas, apresentações ao vivo e discografias, buscando compreender como os imaginários religiosos atravessam a prática musical nordestina e constroem sentidos coletivos. Parte-se do entendimento do forró como campo de disputa simbólica e espaço de reexistência de saberes ancestrais, onde se entrecruzam oralidade, corpo e memória. O estudo ancora-se teoricamente nos conceitos de Oralitura e Memória (MARTINS, 2003), nos Estudos Culturais e nas discussões sobre identidade, tradição e cultura popular (HALL, 1997), além dos referenciais da Etnomusicologia Brasileira (LÜHNING; TUGNY, 2016) e Etnomusicologia Negra (ROSA, 2020, 2024) e referencial linguístico do Pretuguês (GONZÁLEZ, 2021). Também se considera a contribuição das epistemologias do Sul para reposicionar o forró, tirando-o de uma chave meramente folclórica ou regionalista e inserindo-o como um arquivo de conhecimento negro e prática de resistência cultural. Ao rastrear os atravessamentos entre música, religiosidade e territorialidade, este trabalho propõe uma leitura interseccional do forró enquanto prática cultural que expressa cosmologias diversas e atualiza formas de resistência e pertencimento no Brasil.