O corpo negro em performance: territórios de memória e ancestralidade
Palavras-chave:
mulheres negras; corpo em performance; música popular; ancestralidade; decolonialidade., Black women; body in performance; popular music; ancestry; decoloniality.Resumo
Este trabalho faz parte de uma pesquisa de doutorado em andamento, que investiga como mulheres negras nordestinas atuantes no meio acadêmico incorporam e ressignificam suas performances na música popular a partir de influências culturais, ancestrais e corporais. Partindo da compreensão do corpo negro enquanto território de memória, resistência e inscrição de saberes ancestrais (Martins, 2003; Rufino, 2019), o estudo problematiza a hegemonia eurocêntrica presente nos currículos dos cursos de música e a histórica deslegitimação de produções e repertórios afrodiaspóricos, especialmente quando protagonizados por mulheres. A fundamentação teórica dialoga com a etnomusicologia, feminismos negros e estudos decoloniais/contracoloniais, reconhecendo a performance musical como ato político e espaço de afirmação identitária. A pesquisa também reflete sobre os desafios e estratégias dessas mulheres para atuar e permanecer em contextos acadêmicos e musicais marcados por desigualdades de gênero e raça. Metodologicamente, foi adotada uma abordagem qualitativa com pesquisa participante, incluindo revisão bibliográfica e levantamento de musicistas. Ao privilegiar produções acadêmicas de autoria negra, busca-se contribuir para a valorização de saberes múltiplos e para a visibilização das experiências de mulheres negras na música popular, assim como de autoras e autores negros que dialogam constantemente com temas importantes para este trabalho. Nesse sentido, esse artigo pretende, assim, ampliar o debate sobre a presença feminina negra na música, fortalecendo narrativas que reafirmam pertencimento e legitimidade nos espaços acadêmicos e artísticos brasileiros.