ENTRE O PERRÉ E UM CARIBE ESTENDIDO: Fluxos migratórios e expressivos culturais
Palavras-chave:
Etnomusicologia Dialógica, Perré, Caribe Estendido, Linguagem MusicalResumo
No cotidiano do panorama sonoro pernambucano percebe-se vínculos entre a linguagem musical caribenha e um padrão expressivo local de gosto, emoções, representações e performance que extrapola o fazer do instrumentista. A música, a dança e a linguagem expressiva da cantoria exprimem uma identidade comum coletivamente compartilhada na qual vetores de matrizes e matizes caribenhas representam a metáfora de comunidades imaginadas que se interrelacionam por uma comunhão de sentidos e valores simbólicos estendidos, mesmo entre culturas que no cotidiano não se conheçam ou pareçam se interrelacionar. Essa identidade comum revelou-se num padrão local que emergiu como elemento motivador de planos de empatia e autoidentificação expressiva. Esse tecido cultural comum de interrelação, ao mesmo tempo que se enriquece e se reconhece próximo, também coloca em evidência processos históricos, principalmente na sua intencionalidade. Esta comunicação centra-se numa etnomusicologia dialógica que busca entender as interseções entre a música caribenha e sua influência em costumes de outros espaços geopolíticos, considerando a espacialidade, a temporalidade e a intencionalidade de suas ocorrências. Essa abordagem emergiu indutivamente do cruzamento analítico de depoimentos e testemunhos adquiridos em terreno etnográfico desde 2003, como também da verificação de formas de representação como músico, professor e pesquisador. A problemática que emergiu dessa aproximação sistemática apontou da existência de um padrão local de Pernambuco, de origem indígena, denominado perré, que culturalmente permite músicos e outros atores do senso comum estruturar formas expressivas em linguagem caribenha no fazer musical local.