PERRÉ, UM MARCADOR DA IDENTIDADE INDÌGENA NA CULTURA PERNAMBUCANA
Palavras-chave:
Etnomusicologia Dialógica, Perré, Padrão Indígena, Linguagem MusicalResumo
No cotidiano do panorama sonoro pernambucano percebe-se vínculos entre a linguagem musical de povos originários locais representados nos grupos carnavalescos de caboclinhos. Esses vínculos apontam para presença de um padrão expressivo local que influiu na edificação da linguagem musical e expressiva do povo pernambucano, ainda que a literatura tenha ignorado esse vetor cultural ameríndio como marcador de heranças identitárias do povo e cultura local. A música, a dança e a linguagem expressiva da cantoria dos caboclinhos exprimem uma identidade comum no toque do perré que pode ser observado como presente em outros modos expressivos locais da música urbana, como no forró, no baião, no xote, no coco, no maracatu, na embolada, na ciranda e outras formas expressivas da identidade local. Nesta abordagem, o perré emerge como elemento de verificação da presença e importância de uma linguagem indígena primeiramente identificada por volta de 1535 pelo padre Fernão Cardim. Essa forma expressiva, atualmente compartilhada nos cotidianos da cultura popular de tradição oral e midiatizada, representa marcadores que revelam vetores de matizes da cultura popular que podem ter origem no índio local. Esta comunicação centra-se numa etnomusicologia dialógica que busca entender as interseções entre a música midiática e uma possível origem indígena de padrões comuns da cultura pernambucana. Essa abordagem emergiu indutivamente do cruzamento analítico de depoimentos e testemunhos adquiridos em terreno etnográfico desde 2003, como também da verificação de formas de representação como músico, professor e pesquisador.