DIVAS, DIVES E DIVOS POP-PERIFÉRICOS: Artistas independentes entre realities shows musicais e plataformas digitais
Palavras-chave:
Etnomusicologia Pop-Periférica, Reality Shows Musicais, Artistas Independentes em Plataformas DigitaisResumo
Este artigo consiste em um recorte de minha dissertação de mestrado na área de Musicologia/Etnomusicologia, cursada na UFRGS, sob orientação do professor Dr. Reginaldo Gil Braga. A pesquisa aborda participantes de reality shows musicais de televisão, entre os anos de 2010 e 2023, articulando discussões sobre plataformas digitais, performance e o conceito atribuído às/aos artistas participantes do estudo, residentes em três estados do país, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, os quais denomino divas, dives e divos. A partir da articulação entre etnografia e netnografia, é explorado como esses/as artistas, em sua maioria performers da feminilidade — incluindo uma artista trans não binária e um artista de gênero fluido — constroem identidades, estratégias de autoprodução e práticas de gerenciamento artístico no contexto da mídia tradicional e das redes sociais. O estudo observa processos de circulação, legitimação e manutenção das carreiras nas plataformas Facebook, YouTube, SoundCloud, Spotify, WhatsApp, Instagram, Kwai e TikTok, problematizando as noções de Música Pop e Música Pop-Periférica no cruzamento entre televisão, plataformas digitais e redes sociais. A análise evidencia que as mídias digitais não operam apenas como espaços de difusão, mas como ambientes performativos, nos quais música, movimento e corporeidade se articulam na produção de sentidos, afetos e pertencimentos, reorganizando modos de presença, visibilidade e engajamento dos corpos que cantam, performam e circulam. O artigo destaca as possibilidades de reinvenção e agência no ecossistema digital, contribuindo para os debates sobre música, performance, mídia e tecnologia na contemporaneidade.