MÚSICOS INDÍGENAS NAS MISSÕES JESUÍTICAS PAULISTAS DOS SÉCULOS XVIII E XIXPerfis sócio-econômicos e possíveis continuidades da tradição
Palavras-chave:
Música indígena , Missões jesuíticas, Tradições de longa duração, Aculturação, Brasil colôniaResumo
A utilização da música como elemento de catequese de populações indígenas pelos jesuítas é bastante conhecida. No entanto, no caso paulista, pouco ainda se sabe sobre o(s) tipo(s) de música(s) efetivamente praticado(s) pelos catequizados – de quem tampouco se conhece os nomes. Em nossa pesquisa de pós-doutorado, onde investigamos as informações sobre música e músicos contidas na documentação censitária da Capitania e da Província de São Paulo (1765-1850), identificamos trinta e seis músicos indígenas em dois aldeamentos jesuíticos: o do Embu (fundado em 1688) e o de Itapecerica (fundado em data ignorada no final do século XVII). Os dados levantados fornecem informações sobre as suas identidades, núcleos familiares e atividades econômicas – incluindo-se as musicais. A partir daí tecemos considerações sobre as possíveis musicalidades produzidas nesses redutos indígenas cristianizados (música oficialista católica? Manifestações de musicalidade originária? Hibridismos?), assim como a possibilidade de continuidade dessas práticas. Por exemplo, essas localidades contam, atualmente, com corporações musicais fundadas no século XIX, assim como antigas tradições populares como a "dança da Santa Cruz". Em que medida essas instituições ainda vigentes poderiam representar uma continuidade das atividades musicais dos indígenas ali recolhidos nos séculos anteriores?