FORRÓ E RACISMO BRANDO

Autores

  • Climério de Oliveira Santos Conservatório Pernambucano de Música; PPGMúsica/UFPE Autor

Palavras-chave:

Forró, Música popular do Nordeste do Brasil, Negritude, Agência negra, Racismo brando

Resumo

Este trabalho analisa a atuação de pessoas pretas/negras no forró. Há evidências de que o gênero musical é originário de populações afrodiaspóricas e de que, no âmbito da indústria, foi historicamente construído pela agência de artistas negros, como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro — um legado que se estende aos dias de hoje. Apesar da presença inquestionável de artistas pretos, o cenário atual evidencia a pouca afirmação explícita da identidade racial como ferramenta de combate ao racismo e de luta pela dignidade e pelo respeito, manifestações tácitas do que denomino "racismo brando". Diante disso, este artigo busca responder a duas questões centrais: Como o racismo brando se manifesta nos ambientes sociais do forró? Como as pessoas que sofrem o racismo brando o enfrentam? A abordagem teórico-metodológica combina a etnomusicologia e a antropologia, utilizando dados de pesquisas realizadas pelo autor, especialmente do Inventário do Forró Tradicional no Interior de Pernambuco, que levantou informações sobre os praticantes em treze municípios. Serão apresentados dados quantitativos sobre a participação de músicos negros e dados qualitativos sobre sua percepção acerca da negritude e do racismo, destacando como se sentem afetados por ele. O objetivo é evidenciar a atuação negra, compreender os meandros do racismo brando e do seu enfrentamento por parte de pessoas que se investem da “negritude” (Munanga, 2020) – entendida como um modo de agência negra – para levar adiante o seu trabalho no âmbito do forró.

Biografia do Autor

  • Climério de Oliveira Santos, Conservatório Pernambucano de Música; PPGMúsica/UFPE

    Climério de Oliveira Santos é músico, compositor, pesquisador, escritor e professor. Doutorado em Música pela Unirio. Leciona no Conservatório Pernambucano de Música e no Programa de Pós-Graduação em Música da UFPE. Publicou seis livros e vários vídeos sobre músicas tradicionais de Pernambuco, além de capítulos de livros e artigos em revistas especializadas e anais de eventos acadêmicos. Lançou quatro álbuns com o grupo Chá de Zabumba e vários singles em carreira solo. Realiza apresentações musicais em eventos de Pernambuco e de outros estados brasileiros. Elaborou e realizou vários projetos culturais (discos, livros, shows, pesquisas, aulas-espetáculos, eventos musicais, etc.). Foi um dos elaboradores da pesquisa que embasou registro do forró como patrimônio cultural brasileiro (Iphan, 2021), da qual participou como pesquisador. Coordenou o projeto de pesquisa Inventário do Forró Tradicional no Interior de Pernambuco (Fundarpe / Governo de Pernambuco). Membro-fundador da Associação Respeita Januário.

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Publicado

15.11.2025

Edição

Seção

GT 12- Etnomusicologia Negra Amplificando Vozes: A valorização de saberes no institucional

Como Citar

Santos, C. de O. (2025). FORRÓ E RACISMO BRANDO. ANAIS- ASSOCIAÇÂO BRASILEIRA DE ETNOMUSICOLOGIA, 1(12), 1-19. https://eventos.abet.mus.br/enabet/article/view/189