FORRÓ E RACISMO BRANDO
Palavras-chave:
Forró, Música popular do Nordeste do Brasil, Negritude, Agência negra, Racismo brandoResumo
Este trabalho analisa a atuação de pessoas pretas/negras no forró. Há evidências de que o gênero musical é originário de populações afrodiaspóricas e de que, no âmbito da indústria, foi historicamente construído pela agência de artistas negros, como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro — um legado que se estende aos dias de hoje. Apesar da presença inquestionável de artistas pretos, o cenário atual evidencia a pouca afirmação explícita da identidade racial como ferramenta de combate ao racismo e de luta pela dignidade e pelo respeito, manifestações tácitas do que denomino "racismo brando". Diante disso, este artigo busca responder a duas questões centrais: Como o racismo brando se manifesta nos ambientes sociais do forró? Como as pessoas que sofrem o racismo brando o enfrentam? A abordagem teórico-metodológica combina a etnomusicologia e a antropologia, utilizando dados de pesquisas realizadas pelo autor, especialmente do Inventário do Forró Tradicional no Interior de Pernambuco, que levantou informações sobre os praticantes em treze municípios. Serão apresentados dados quantitativos sobre a participação de músicos negros e dados qualitativos sobre sua percepção acerca da negritude e do racismo, destacando como se sentem afetados por ele. O objetivo é evidenciar a atuação negra, compreender os meandros do racismo brando e do seu enfrentamento por parte de pessoas que se investem da “negritude” (Munanga, 2020) – entendida como um modo de agência negra – para levar adiante o seu trabalho no âmbito do forró.