O humano no algoritmo: Uma etnografia virtual junto a usuários da plataforma musical Suno AI
Palavras-chave:
Inteligência artificial, Composição algorítmica, Suno AI, Comunidades virtuaisResumo
Nos últimos anos, o campo da criação musical com inteligência artificial (IA) tem passado por transformações radicais. Onde antes predominava a pesquisa acadêmica e a arte de vanguarda, hoje se observa a proliferação de plataformas de IA comerciais que prometem democratizar a composição musical através de ferramentas que geram canções em segundos. Alguns aspectos desse desdobramento tem atraído críticas, como o uso indevido de obras protegidas por direitos autorais e a depreciação do trabalho musical. Os defensores da música de IA, por sua vez, consideram que o avanço tecnológico é inevitável, e que seus benefícios compensarão os prejuízos. A fim de compreender mais a fundo esse posicionamento, venho desenvolvendo um trabalho etnográfico online junto a usuários e entusiastas de uma dessas plataformas, o Suno AI. Através da observação participante em redes sociais como o Reddit e o Discord, tenho investigado temas como os processos de criação musical, a solidariedade entre estranhos na internet, a estética da IA, as crenças e convicções de seus usuários, e os incentivos para a difusão desses conteúdos. Em uma análise preliminar, as inovações mais relevantes na criação musical com o Suno tem sido lideradas pelos usuários, que exploram rotineiramente os usos imprevistos, inapropriados, virtuosísticos e até ilícitos da tecnologia. E embora seja cedo demais para dizer se esse tipo de ferramenta será relevante em um cenário mais amplo, é seguro afirmar que a comunidade do Suno já opera como um nicho ou movimento musical autônomo.