ETNOGRAFIAS SONORAS E FEMINISTAS: Levantamento inicial sobre festas, coletivos e produções bibliográficas sobre a cena eletrônica e a atuação de mulheres na Música Eletrônica de Pista (MEP) em Porto Alegre (RS)
Palavras-chave:
Djs mulheres, Etnografia feminista, Música eletrônica de pista, Porto AlegreResumo
Mulheres e pessoas LGBTQIAP+ desempenham papéis centrais na construção e consumo da cena de música eletrônica (Rossi, 2021). Contudo, a atuação de mulheres segue invisibilizada na produção acadêmica (Gavanas e Reitsamer, 2013). Este trabalho parte de duas lacunas: a ausência de registros históricos sobre essas agentes (Rodgers, 2010) e a escassez de pesquisas que reconheçam o DJing como prática musical (MacCutcheon, Greasley e Elliott, 2016). A primeira etapa consistiu em levantamento bibliográfico e leitura de trabalhos de conclusão de curso, dissertações, teses e livros sobre festas e produção de música eletrônica em Porto Alegre, visando construir um estado da arte e uma perspectiva historiográfica local. Paralelamente, realizou-se investigação netnográfica (Kozinets, 2021) para mapear festas, coletivos e DJs mulheres atuantes na cidade. Até o momento, foram identificadas 17 festas, 21 DJs mulheres, 3 coletivos e 1 livro, além de 8 trabalhos acadêmicos na UFRGS: 4 dissertações (educação musical, antropologia social, psicologia social e institucional) e 4 TCCs (ciências sociais, psicologia e música popular). Apenas um deles foca na produção feminina. Os dados confirmam a hipótese de escassez de documentação sobre a presença e contribuição das mulheres na cena eletrônica de Porto Alegre, evidenciando um apagamento histórico e artístico. Como próximos passos, propõe-se elaborar uma etnografia feminista (Koskoff, 2014) e musical (Seeger, 2008) dessas mulheres, com foco em repertórios, trajetórias e estratégias de resistência e criação de redes, buscando “novos olhares, novos focos, novas lentes para se contar a história” (Nogueira, 2017) da cena eletrônica do sul do Brasil.