Cenas contemporâneas do Rap em Porto Alegre: esboços etnográficos das práticas sonoro-musicais em uma gravadora independente da zona norte de Porto Alegre (RS)
Palavras-chave:
Rap, grime, UK drill, sound system, afrofuturismoResumo
Neste trabalho, apresentamos o percurso de uma pesquisa de Doutorado em andamento através de interlocuções com MCs, DJs, beatmakers e produtores musicais que, há quase uma década, iniciaram suas trajetórias no Hip Hop desde as periferias de Porto Alegre em Batalhas de rima e competições de poesia falada conhecidas como slams. Acompanhamos a veiculação de suas produções fonográficas, realizadas a partir de 2018, em uma gravadora independente radicada em um bairro popular da zona norte da capital, dentre os mais atingidos nas enchentes de maio de 2024. Na conjuntura pós-pandêmica e pós-enchentes de reestruturação de ecossistemas locais da música, temos seguido os trânsitos que efetuam entre diversas vertentes do Rap difundidas após a emergência do trap no cenário nacional. Dentre tais variantes musicais, chamam atenção o grime e do UK drill, estéticas sonoras gestadas, respectivamente, nos anos 2000 e 2010, desde socioacústicas da violência de bairros do leste e sul de Londres, marcados pela presença significativa de imigrantes africanos e afro-caribenhos. Indagamos, então: quais os sentidos atribuídos por hip-hoppers locais a tal aproximação com estes e demais gêneros britânicos de música eletrônica negra; e quais as potenciais implicações políticas da incorporação de sensibilidades acústicas e modos de sociabilidade e circulação musical do sound system jamaicano em sua atuação no cenário do Rap local? Na interface entre práticas de estúdio e de sound system, esperamos construir fios sonoro-etnográficos a fim de interpelar estas experiências sônicas da localidade em sua atribuição de viínculos identitários com os futurismos sonoro-musicais do Atlântico Negro.