ESCRITA COLABORATIVA NO PROJETO MUSICAR LOCAL: Entre experiências e reflexões
Palavras-chave:
Escrita coletiva, Metodologias colaborativas, Musicar Local, Aprendizagem situadaResumo
Este trabalho analisa a experiência de escrita coletiva no projeto temático Musicar Local: novas trilhas para a etnomusicologia (2017–2022), realizado na Unicamp e na USP, com fomento da FAPESP, que resultou no livro Musicar Local – trilhas para estudos musicais (no prelo), produzido por 50 pesquisadores. A coletânea, composta por 10 capítulos, foi organizada em eixos temáticos emergentes ao longo do projeto, decorrentes de debates e reflexões tensionados por diferentes perspectivas teóricas, áreas de formação e atuação, reunindo autores de diversas trajetórias acadêmicas e profissionais. O artigo focaliza o processo de elaboração dos capítulos “Comunidades Musicais de Prática” e “Espaços, política e musicar local”. A experiência articulou perspectivas teóricas e etnografias diversas, demandando organização, padronização textual e negociação de abordagens. A partir dos relatos dos autores, analisa-se como a escrita colaborativa operou simultaneamente como prática de pesquisa e processo formativo, promovendo trocas horizontais, construção de repertório compartilhado e legitimação da participação de pesquisadores iniciantes. O estudo dialoga especialmente com Lave e Wenger (1991), a partir da noção de aprendizagem situada; com perspectivas freirianas que problematizam hierarquias acadêmicas; e com Carvalho (2020), cuja reflexão enfatiza a necessidade de compreender as universidades como espaços pluriepistêmicos. Conclui-se que a escrita coletiva, além de refletir o caráter político e participativo de certas abordagens etnomusicológicas, configura-se como espaço de experimentação epistemológica que tensiona assimetrias acadêmicas. Tal prática favorece a circulação de saberes, a reflexão crítica e a construção conjunta do conhecimento, em consonância com compromissos sociais e ideológicos que orientam a etnomusicologia contemporânea.