Trap de bandido? Narcocultura, representação midiática e relevância social
Palavras-chave:
Trap, Cultura Hip-hop, Narcocultura, Funk carioca, Real trapResumo
Proibidão e real trap são denominações consolidadas para a música que aborda o cotidiano de facções do crime organizado como Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigos dos Amigos nas comunidades do Rio de Janeiro. A partir dessa produção musical, surge o questionamento se as letras trariam apologia ao crime e se seus compositores estariam diretamente envolvidos com o tráfico de drogas. Analisar este contexto e relacioná-lo com o conceito de narcocultura é o objetivo desse artigo, tratando ainda da relevância social que a música das periferias cariocas ganhou no debate público e midiático. Será abordada a prisão do MC Poze do Rodo e seu processo de soltura, com a participação de Oruam, acontecimentos em bailes recentes, como o realizado na comunidade de Nova Holanda, no Complexo da Maré, e ainda a participação dos artistas na revolta da comunidade do Morro Santo Amaro com a intervenção do Batalhão de Operações Policiais Especiais em uma festa junina. O trabalho apresenta paralelos com o contexto das músicas produzidas tendo o crime organizado como tema e plano de fundo em países como o México e Estados Unidos, a relação entre o trap de Atlanta e o brasileiro e o processo de construção da relevância do funk/trap carioca como música periférica.