A MÚSICA ÁRABE NO OCIDENTE: Influências e estereótipos
Palavras-chave:
Música árabe, Canto coral, Orientalismo, Estereótipo sonoro, InterculturalidadeResumo
Este artigo investiga a relevância do estudo da música árabe no ensino superior de música, destacando suas contribuições históricas para a música ocidental e seu potencial para desconstruir preconceitos sobre o mundo árabe. Inserido no campo da etnomusicologia, integra um projeto sobre decolonialidade, interculturalidade e educação musical, com ênfase na incorporação dessa tradição em práticas coletivas, especialmente no canto coral. A pesquisa baseia-se em levantamento bibliográfico, análise de produções musicais e relato do aprendizado da canção tradicional palestina Yazareef Altool pela turma de canto coral do curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). A prática incluiu exercícios de maqamat (modos árabes com microtonalidades), instruções sobre pronúncia e demonstração de instrumentos tradicionais da cultura árabe. São apresentadas contribuições árabes à música ocidental, incluindo influências na notação musical, na filosofia da música e na música nordestina brasileira (Dib, 2013; Farmer, 1986; Saoud, 2004). Conceitos como “música orientalista” e “estereótipo sonoro” são discutidos junto à análise de obras que evidenciam apropriações e generalizações acerca do Oriente, além da problematização dos estereótipos mantidos pelo orientalismo (Said, 1978; Chimamanda, 2009), frequentemente reforçados por mídias ocidentais (Baccega, 1998). Conclui-se que o estudo da música árabe na academia amplia repertórios e valoriza pluralidades culturais. A experiência em sala permitiu não só a exploração musical, mas um olhar crítico sobre aspectos eurocêntricos nos currículos musicais, reforçando a importância de abordagens interculturais e decoloniais no ensino superior de música no Brasil.