CAVALO-MARINHO, CANA-DE-AÇÚCAR, TERRA E TRABALHO
Palavras-chave:
Etnografia, Cavalo-Marinho, EtnomusicologiaResumo
O Cavalo-Marinho é uma manifestação sonoro-cinética-poética de tradição oral que ocorre principalmente na Zona da Mata Norte de Pernambuco: mistura de dança, música, teatro e poesia sob a forma de espetáculo de rua com duração de até oito horas. O enredo do brinquedo aborda essencialmente a vida na Zona da Mata, as relações de poder e conflito, as formas de trabalho e o domínio da terra. Trata da vida cotidiana dos engenhos e das vilas e cidades próximas. A música desempenha um papel fundamental nesse brinquedo, desde a toada de abertura até os momentos finais com o coco e as incelências. O banco é composto por instrumentos como viola, rabeca, pandeiro, bage e mineiro. As danças, intimamente ligadas à música, permeiam toda a brincadeira, marcando o início, o fim e os entremeios. Os passos de dança, chamados de trupés, são influenciados pelo ritmo do baião e refletem a região pélvica e abdominal, remetendo ao trabalho do corte de cana-de-açúcar. Além disso, os textos falados, sejam improvisados, fixos, rimados ou não, agregam camadas de expressão e interação entre as personagens e o público. Apresentaremos dados sobre a etnografia realizada em um trabalho acadêmico a nível de mestrado com junto ao Cavalo-marinho Boi Pintado do Mestre Grimário, do município de Aliança - PE.