Como você fez isso? Relato de experiência da prática jongueira na aula de educação musical na escola regular
Palavras-chave:
Educação musical; jongo; antirracismo.Resumo
Este trabalho trata-se de um relato de experiência da práxis pedagógico-musical docente desenvolvida com alunos dos anos finais do ensino fundamental de uma rede pública no estado do Rio de Janeiro, durante o ano de 2023. Por conta de uma hegemonia eurocêntrica de saberes (QUEIROZ, 2017; HOOKS, 2017) o legado cultural de matriz afro não é devidamente contemplado (e até mesmo apagado) nos currículos escolares, de certa forma dificultando o acesso e o incentivo ao compartilhamento desses saberes partícipes da cultura brasileira nas salas de aula. Após imersão in loco no Jongo da Serrinha, para produzir a dissertação de mestrado em musicologia (RUFINO, 2021), foi possível coletar e registrar parte do repertório do grupo, como também compreender suas metodologias, concepções artísticas, vivências e saberes de uma tradição que não se encontra na Universidade e tão pouco difundida na educação básica. O jongo é um gênero musical ancestral, que preserva parte da história afro-brasileira e resistência epistêmica, se fazendo fundamental seu conhecimento visando construir uma educação plural e democrática. Para fundamentar este texto, corroborar as reflexões e perspectivas elaboradas, além dos etnomusicólogos como NETTL, 2005; CAMBRIA, 2012, recorreu-se à intelectualidade negra brasileira como GOMES, 2005; NASCIMENTO, 2016; SILVA, 2015; PETIT, 2015. As constatações e reflexões resultantes mostram a importância da pesquisa/contato in loco nas tradições não-hegemônicas a fim de consubstanciar a prática pedagógica, repensando a educação musical antirracista e enriquecendo a formação do alunado.