MÚSICA NEGLIGENCIADA: pensar a sociedade contemporânea pela via das sonoridades e dos marcadores sociais de diferença

Autores

  • Raquel Mendonça Martins UNiCAMP Autor

Palavras-chave:

música negligenciada; marcadores sociais de diferença; interseccionalidade; poder simbólico; políticas da escuta

Resumo

Este artigo desenvolve e fundamenta a noção de “músicas negligenciadas” como ferramenta analítica para examinar manifestações sonoras originadas em camadas socialmente vulnerabilizadas, racializadas e territorialmente marginalizadas. A proposta articula debates em etnomusicologia, estudos de mídia, estudos sonoros e teorias do poder simbólico para compreender como certas músicas são deslegitimadas, silenciadas ou autorizadas a circular apenas após processos de ressignificação compatíveis com interesses mercadológicos e moralidades dominantes. Analiso rap, funk e Orikis como expressões que compartilham matriz afrodiaspórica e vínculos comunitários, mas que percorrem trajetórias distintas de legitimação. Defendo que a negligência musical opera como dispositivo social, histórico e econômico, produzindo uma dicotomia interna em que um “lado A” tende ao mainstream e um “lado B” permanece endêmico, local, situado e frequentemente estigmatizado. Ao final, discuto como a experiência sonora — volume, grave, ruído, distorção e presença — funciona como política do sensível, implicando disputas por espaço urbano, cidadania e direito à existência pública.

Biografia do Autor

  • Raquel Mendonça Martins, UNiCAMP

    NI

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Publicado

15.11.2025

Edição

Seção

GT 02- Políticas da escuta na etnomusicologia: a que(m) ouvimos?

Como Citar

Mendonça Martins, R. (2025). MÚSICA NEGLIGENCIADA: pensar a sociedade contemporânea pela via das sonoridades e dos marcadores sociais de diferença. ANAIS- ASSOCIAÇÂO BRASILEIRA DE ETNOMUSICOLOGIA, 1(12), 1-17. https://eventos.abet.mus.br/enabet/article/view/146