Etnomusicologia feminista, cultura e política: aprendendo com as Ialodês em rodas de samba de mulheres no Rio Grande do Sul
Palavras-chave:
Etnomusicologia , Mulheres na música, Roda de Samba, Política culturalResumo
Este trabalho apresenta um recorte da minha dissertação de mestrado defendida em 2025. Baseado em uma etnografia participativa com dois grupos de mulheres musicistas no Rio Grande do Sul, cujas trajetórias foram tecidas nos contextos do nativismo gaúcho e das rodas de samba, o trabalho de campo revelou como elas constituíram suas identidades musicais como parte de uma teia de movimentos sociais, significações culturais, sonoras e políticas, conectadas a rituais comunitários e circuitos institucionais. O foco desta comunicação é o processo de inserção no campo da roda de samba, considerando as implicações de atuar simultaneamente como musicista e pesquisadora branca. Essa posição evidenciou tanto uma epistemologia própria da roda quanto tensões entre feminismos brancos e negros, que atravessam o cotidiano das relações musicais e sociais. Também emergiram disputas pela ocupação do espaço sonoro, que, de forma simbólica, refletem a história de resistência do samba no Rio Grande do Sul. A reflexão proposta sugere como determinados coletivos de mulheres sambistas constroem modos específicos de agência política em contextos regionais, trazendo a escuta para o caráter relacional das práticas musicais e para as dinâmicas que se formam na interseção entre etnomusicologia feminista e política cultural. Sob essa perspectiva, a roda de samba etnografada é entendida não apenas como prática musical, mas também como lugar de ação política, onde dimensões sonoras, sociais e históricas se articulam mutuamente em um tramado de relações.