MUSICALIDADES QUILOMBOLAS RS: a revitalização de Maçambiques e Quicumbis nos anos pós-pandemia
Palavras-chave:
musicalidades quilombolas, tradições performáticas afro-brasileiras, Quicumbis, Maçambiques, Congadas no Rio Grande do SulResumo
Entre os anos de 2006 e 2009 desenvolvi uma etnografia em comunidades quilombolas do RS. Nelas, além de práticas sonoras ligadas a nichos midiáticos como de músicas gauchescas e sertanejas, encontrei vivas e em constante processo de atualização, as tradições performáticas do Maçambique e dos Quicumbis, formas de Congadas como as que existem em outras regiões do país. No Maçambique de Osório, duas guardas de dançantes, tamboreiros, o Chefe do grupo, Capitães de Espada e a Alferes da Bandeira, acompanham e protegem a Rainha Ginga e o Rei do Congo em seus deslocamentos em cortejo, cantados e acompanhados por dança, maçaquaias e batidas de tambores, por ocasião da Festa do Rosário, de São Benedito e em Pagamentos de Promessas. No Quicumbi do Rincão dos Negros em Rio Pardo, Reis e Rainhas já não compõem o cortejo, mas dançantes, homens e mulheres, ao som de tambor e puíta, cantam e dançam enquanto embalam uma boneca ritual. Depois de um período extremamente desafiador com a pandemia da Covid-19, de perdas humanas além da ausência total de políticas públicas a comunidades quilombolas e a práticas culturais em geral, a aprovação das leis Aldir Blanc (2020/2022) e Paulo Gustavo (2022), fruto de grande mobilização social, favoreceu a retomada de projetos que abarcaram, entre outros grupos, coletivos negros. Nessa comunicação, discutirei projetos que vêm, recentemente, fortalecendo as tradições do Maçambique e dos Quicumbis no RS, em especial, dois documentários: Quicumbi em Cachoeira do Sul: retomando fazeres ancestrais e Osório e o Maçambique: história de fé, cultura e identidade afro-brasileira.