ESTRATÉGIAS DE ENSINO DE RITMO E PERCUSSÃO COM O USO DE PRÁTICAS MNEMÔNICAS REFERENCIADAS EM FORMAS DE TRANSMISSÃO DE CULTURA ORAL
Palavras-chave:
Mnemônicas; vocalização; percussão; ritmo; cultura oralResumo
Este trabalho apresenta estratégias desenvolvidas pelo autor que utilizam a vocalização de sons no ensino de ritmos e instrumentos de percussão, tomando como referência formas de transmissão oral presentes em culturas de matriz africana no Brasil. Essa prática, registrada em diversos contextos de ensino, tem como principal característica a conversão de sons percussivos em sílabas facilmente memorizáveis. O alagbê, professor e pesquisador Iuri Ricardo Passos de Barros, por exemplo, emprega sílabas como “pam, tú, gu, tumbam, bam, kum, ká e tchá” para ensinar sons específicos do atabaque no projeto Rum Alagbê. Autores como Robert Kwami, Gerhard Kubik e Kofi Agawu identificam tais estratégias como práticas mnemônicas vinculadas a tradições musicais africanas e afro-diaspóricas. Com base nesses referenciais e em bibliografia nacional, foram elaboradas estratégias de construção de sílabas, palavras e frases mnemônicas, desdobradas em dinâmicas de grupo, propostas criativas e jogos de mãos. Tais metodologias serão apresentadas nesse artigo, considerando sua aplicação em diversos ambientes onde o autor exerce a função de educador, como cursos livres de música para adultos e crianças, ensino regular de conservatório, formações para professores, cursos on-line e vídeoaulas. Ao valorizar saberes transmitidos oralmente, o trabalho dialoga com perspectivas decoloniais de ensino musical, trazendo elementos alternativos à partitura enquanto registro de ritmos e sons. Propõe-se, assim, apresentar esses materiais de ensino e aprendizagem como contribuição ao debate sobre musicalidades afro-diaspóricas na educação musical, incentivando a pesquisa e a aplicação de práticas mnemônicas conectadas a formas tradicionais de transmissão da cultura oral.