Urucungo é do Kongo! A memória afrodiaspórica nos versos de Nei Lopes
Palavras-chave:
Nei Lopes, Urucungo , Bantu-Kongo, História da África, Musicalidades afrobrasileiras, História da MúsicaResumo
O presente trabalho tem como foco de análise a canção Urucungo, composta por Nei Lopes e Marcelo Menezes. O artigo propõe a utilização da criação poética negra como fonte historiográfica primária para o ensino da História da Música, confrontando o privilégio epistêmico eurocêntrico e a “biblioteca colonial”, conceito de Valentin-Yves Mudimbe. Por meio da análise dos seus versos, o percurso analítico decodifica a rota diaspórica da África Centro-Ocidental, resgatando a complexidade do Reino do Kongo, o protagonismo da Rainha Nzinga Mbandi e a reconfiguração sociopolítica dos quilombos no Brasil. A partir da música, a pesquisa mapeia ainda a organologia do arco musical urucungo e os fundamentos espirituais das rodas de jongo do Vale do Paraíba. Evidencia-se, assim, como Nei Lopes mobiliza a história e a cosmologia centro-africana, junto à metalinguagem proverbial, para forjar estratégias artísticas de reescrita da memória afrodiaspórica brasileira.