PAISAGENS EM TRÂNSITO: Canção e fronteira na Região Platina
Palavras-chave:
Canção platina, Fronteira cultural, Hibridismo cultural, Poéticas dissidentes, TerritorialidadeResumo
Esta pesquisa etnomusicológica analisa a canção como espaço de diálogo entre poesia e performance na produção de uma nova geração de artistas da região platina, investigando como suas circulações tensionam e reconfiguram heranças culturais e linguísticas por meio de poéticas dissidentes. A partir da análise de obras, performances e modos de inserção artística do Purahéi Trio, do Purahéi Soul e de artistas como Paula Maffía, Sebastián Macchi, Papina de Palma, Sebastián Jantos, Rosa Nika, Zelito Ramos e Mário Falcão, propõe-se um mapeamento etnográfico de estéticas que deslocam os limites das músicas tradicionais e constroem paisagens sonoras fluidas, interseccionais e urbanas, ainda enraizadas em referências culturais e afetivas do Sul latino-americano. Nesse sentido, compreende-se a canção como forma de discurso cultural e sensível, articulada aos estudos de gênero, à linguagem musical e ao território. Metodologicamente, a pesquisa consiste em uma etnografia musical multissituada, combinando trabalho de campo presencial e digital, análise textual e musical, observação de performances, entrevistas semiestruturadas, interações em plataformas digitais, registros audiovisuais e diários de campo. A análise orienta-se pela escuta crítica e pela contextualização sociocultural das práticas investigadas. Os resultados preliminares indicam reapropriações poéticas e sonoras da tradição em chave crítica e autoral – como a associação da paisagem pampeana a corpos femininos ou queer –, sugerindo novos modos de enraizamento e pertencimento. Assim, tais práticas tensionam dicotomias (tradição/modernidade, campo/cidade, centro/periferia) e expandem a noção de fronteira para além de sua dimensão geopolítica, configurando a canção contemporânea também como ato político e descolonizador.