OU NEGRO OU ÍNDIO?: Sobre afrocatolicismo, alteridades históricas e os interstícios da raça
Palavras-chave:
Diáspora africana, Afroindigenidade, Historicidade, Racialização, CabocloResumo
A imagem do índio é uma figura recorrente na história religiosa das práticas afrodiaspóricas das Américas. De que maneira os caboclos produzem história no contexto afrocatólico baiano? Começo analisando a polissemia do caboclo na cultura brasileira – como índio domesticado, como etnônimo para sertanejo, como categoria externa ao "africano", entre outras – em diálogo com o conceito da contramestiçagem (ver Goldman 2017). Em seguida, proponho o caboclo como heurístico para pensar a história racial brasileira, examinando duas teorias antropológicas – a genealogia etnohistórica de Iyanaga (2015) e a antropologia da história de Palmié e Stewart (2016) – através de perspectivas etnográficas sobre os rituais afro e Tupi católicos. Considero as representações de caboclos em altares e em sambas rituais, juntamente com a forma como os caboclos são narrativizados nas histórias familiares dos fiéis. Sugiro que a produção histórica que envolve caboclos aponta para ontologias intersticiais da raça que desafiam as categorias raciais que fundamentam a história pós-colonial.