Nelson Alves, o cavaquinista negro e seu protagonismo na indústria fonográfica do Brasil no início do século XX
Palavras-chave:
Cavaquinho, Nelson Alves, Protagonismo Negro, Indústria fonográfica, Mobilidade Social;Resumo
Este artigo integra uma pesquisa mais ampla de doutorado no âmbito da Documentação e História da Música, focado no estudo da trajetória do cavaquinista e compositor negro Nelson Alves. Para esse entendimento, Nelson dos Santos Alves (Nelson Alves) fez parte do expressivo Grupo “Os Oito Batutas” que marcou época na história da música popular brasileira. Ao que tudo indica Nelson Alves nasceu (c. 1895) e faleceu (c. 1960) na cidade do Rio de Janeiro, na sua adolescência vivenciou as transformações tecnológicas de sua cidade, como a implementação da indústria fonográfica no Brasil. Nesta relação, de poder e por motivos econômicos, logo os sons das ruas, praças, teatros e circos puderam ser capitaneados por essas novas tecnologias. A partir daí, com o cavaquinho em mãos, Nelson Alves teve suas primeiras “brechas” ganhando certa relevância neste contexto musical, chegando a atuar nas primeiras gravações mecânicas da Casa Edison. Vale lembrar que o contexto histórico onde Nelson Alves atuou se transcorria no período do “Pós-abolição” que, pode ser entendido por Moura como período do “Escravismo tardio” (MOURA, 2024, p. 13). Mesmo com esse contexto brasileiro racializado, Mukuna fornece uma notável possibilidade de “analise da música dentro do contexto dos fenômenos da sociedade de seus criadores” (MUKUNA, 1978). Nesta perspectiva, unificando forças com Mukuna (1978), Moura (2024), Rosa (2020) dentre outros pensadores negros ou não, busca-se analisar a trajetória musical de Nelson Alves e seus pares negros no recipiente mercado musical do século XX, entre as décadas de 1910 e 1920.