HABITUS BERKLEEANO NA MÚSICA INSTRUMENTAL POPULAR BRASILEIRA: Uma pedagogia que silencia
Palavras-chave:
Música Popular Instrumental Brasileira, Habitus Berkleeano, Escola de Música Popular BrasileiraResumo
Este trabalho surgiu a partir da percepção da existência de inconsistências e contradições entre o discurso comumente propagado no ensino da música popular instrumental brasileira (MPIB) e o que se identifica na prática musical. Uma dessas contradições consiste na ideia de que na MPIB, o requinte harmônico se apresenta como um dos elementos basilares que orienta toda a construção melódica, sobretudo no que se refere à prática da improvisação. Sendo assim, impera no senso comum uma suposta regra de improvisação que afirma que a melodia não deve repousar nas tônicas dos acordes, o que enfraqueceria o status de riqueza atribuído ao âmbito harmônico. No entanto, o que se percebe na prática é uma recorrência desse acontecimento, principalmente em linguagens como a do frevo, do forró e do baião, por exemplo. Essas inconsistências revelam traços de colonialidade que ainda envolvem a formação em música no Brasil (QUEIROZ, 2017). Assim, este trabalho pretende confrontar e questionar as narrativas pois reproduzem uma lógica de execução musical advinda da pedagogia do jazz. Busca-se exercitar um pensamento decolonial e emancipatório de construção de uma escola brasileira de música popular e improvisação autônoma e descolada da influência hegemônica norte-americana. As reflexões aqui contidas são orientadas pelo arcabouço conceitual trabalhado por Pierre Bourdieu (1989), através do conceito de habitus, a partir da construção da noção de um habitus berkleeano e da presença de um tipo de poder simbólico na pedagogia da MPIB.