MUSICAR E PERFORMANCE COMO PRÁTICA SOCIAL: a construção da identidade da Banda Marcial ETE de Criatividade Musical
Palavras-chave:
musicar; performance musical; identidade; banda marcialResumo
Este artigo apresenta o referencial teórico utilizado no projeto de mestrado, iniciado em 2025, em que analisa a construção da identidade da Banda Marcial ETE de Criatividade Musical a partir da compreensão da prática musical coletiva como uma prática social e relacional. Fundamenta-se na concepção de identidade cultural proposta por Stuart Hall, que a compreende como um processo histórico, relacional e em constante transformação, articulada ao conceito de musicking de Christopher Small, que entende a música como uma ação social constituída nas relações estabelecidas entre os participantes de um evento musical. Soma-se a esse referencial a abordagem etnográfica da performance musical de Anthony Seeger, que compreende a música como produtora de vínculos sociais e de sentidos que vão além do som. A Banda Marcial ETE de Criatividade Musical é analisada como um espaço de socialização, aprendizagem coletiva e produção simbólica, no qual repertórios, modos de organização, práticas de ensaio, performances e interações cotidianas contribuem para a constituição de uma identidade coletiva. Observa-se que o fazer musical ultrapassa a dimensão técnica, envolvendo valores como pertencimento, cooperação, disciplina e compartilhamento de saberes. Conclui-se que a banda se configura como um espaço simbólico de negociação de sentidos e de construção identitária, no qual a música atua como prática social formadora de vínculos, valores e pertencimentos coletivos.