Mestre Paulino Katimba e a sua ocisumbatudo de caso sobre um cordofone tradicional angolano
Palavras-chave:
pluriarco, cihumba, nsambiResumo
Resumo
Em duas diferentes ocasiões, nos anos de 2024 e 2025, tive a oportunidade de realizar trabalho de campo junto ao mestre Paulino Katimba na aldeia Ndamba ya Mela, área rural do município de Caimbambo (interior da província de Benguela/Angola). Trata-se de um dos poucos mestres ativos de um particular cordofone tradicional angolano: a ocisumba.
A etnografia resultante da pesquisa em campo prende-se com 3 principais temáticas: 1) os materiais (madeiras, fibras, etc) utilizados na construção do instrumento e sua relação com o meio-ambiente; 2) os materiais musicais provenientes da prática deste cordofone e sua relação com os contextos sociais; e 3) a discussão sobre patrimônio e necessidade de salvaguarda desta prática.
Em termo de estrutura, em carácter introdutório o trabalho apresenta uma breve contextualização acerca dos cordofones angolanos. Em seguida, é apresentado um tópico específico sobre os pluriarcos angolanos em sua perspectiva histórica e contemporânea. Passo então à apresentação do quadro da pesquisa de campo junto ao mestre Katimba. Em seguida, apresento a etnografia resultante baseada, sobretudo, na abordagem metodológica proposta pelo etnomusicólogo Steven Feld em 1984. Por fim, são apresentadas as considerações finais.
O presente artigo tem como principais preocupações a presença específica da ocisumba em relação: 1) aos processos de construção e aprendizagem; 2) à sua conotação social e o seu valor para os tocadores; 3) aos modos como se insere nas práticas musicais comunitárias; 4) aos seus limites técnicos e artísticos; e 5) às fronteiras entre o instrumento musical e a dimensão ritual do objecto.