O Baile Delas: ensaio etnográfico entre trabalhadoras da música em Porto Alegre, RS
Palavras-chave:
música ao vivo, trabalhadoras da música, relações de gênero em música, etnomusicologiaResumo
Este projeto de pesquisa em andamento investiga a cena de trabalhadoras da música em Porto Alegre, RS, especialmente no bairro Cidade Baixa. A partir do trabalho de campo e da realização de entrevistas, traço uma análise das vivências das musicistas em relação às condições de trabalho e aos seus desafios cotidianos, sob perspectivas etnomusicológicas, das epistemologias feministas e do campo do trabalho em música no Brasil. Para uma análise da configuração do trabalho musical, são pontos de partida: as relações étnico-raciais e de gênero como primeiros marcadores que atravessam a narrativa da(o) trabalhadora, sendo influentes na percepção, discurso e vivência dentro da profissão; a configuração do trabalho musical no país caracterizada pela nova morfologia do trabalho, marcada por condições de informalidade e instabilidade; a tentativa de formalização pela pejotização; o câmbio de percepção de musicista trabalhadora para musicista empreendedora, inseridas dentro da chamada economia da gig. Tais questões de desamparo institucional e vulnerabilidade na prática da profissão ficam ainda mais expostas em tempos de emergências climáticas como foram a epidemia da Covid-19 e as enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. Menciono os arranjos que as musicistas fazem para a vivência da profissão os quais, por mais que tragam relatos individuais, suas experiências são coletivas, marcadas por lutas e concessões para o possível exercício da profissão. Ainda assim, a música ao vivo é relatada pelas trabalhadoras como ponto de partida para um ingresso na profissão de musicista e como possível ferramenta de independência financeira.