Interseções entre samba, carnaval e futebol no Catumbi
Palavras-chave:
futebol; carnaval; samba; Catumbi; cultura negraResumo
Este trabalho investiga a interseção entre carnaval e futebol no Catumbi, cujo laço remonta à década de 1920, entre a sociedade Bohemios de Paula Mattos e times locais. O tema se insere em uma pesquisa de doutorado, em andamento, sobre a atuação de agremiações carnavalescas naquele bairro do Rio de Janeiro. Durante as décadas de 1960 e 70, os blocos Vai Quem Quer e Bafo da Onça promoveram bailes de sucesso nos clubes Astória e Minerva. Ambos os clubes fundiram-se no Helênico, que na década de 1980 realizou famosas rodas de samba. O Catumbi sofreu, na década de 1970, um projeto estatal de reforma urbana que destruiu boa parte do bairro, provocando uma diáspora prejudicial ao carnaval de rua e ao futebol. No entanto, Catumbi passou a sediar o Sambódromo, voltado ao desfile das Escolas de Samba. Ao longo do século XX, futebol e samba tornaram-se símbolos de identidade nacional, processo que teve influência de políticas de Estado. No Catumbi, ambos contaram com a presença da população negra local, sendo estes espaços possíveis em que tal segmento pôde atuar, com sua cultura, sociabilidade e modos de vida, negociando prestígio e ascensão em uma sociedade marcada por racismo. Através de pesquisa em periódicos, entrevistas e bibliografia relacionada ao tema, refletimos sobre as múltiplas determinantes sociais que possibilitaram a constituição e permanência dos citados grupos de carnaval e futebol, considerando o entrelaçamento entre eles, seus campos de atuação, as motivações de seu sucesso e declínio no Catumbi.