LEGADOS DE MEMÓRIAS E RESISTÊNCIAS PERFORMADAS NO CANTO E DANÇA DE COMUNIDADES TRADICIONAIS QUILOMBOLAS
Palavras-chave:
performance , canto-dança, comunidade tradicional quilombolaResumo
Esse texto é fruto das reflexões sobre canto e dança em comunidades quilombolas do Território de Identidade Velho Chico/Bahia, como parte da pesquisa para doutoramento, bem como dos debates propostos para a área de Entnomusicologia do XII ENABET, Salvador, Bahia. Canto e dança para a arte, sobretudo na cultura ocidental, apesar de serem interdependentes, ocupam lugares distintos como área de conhecimento, campo de estudos, formação profissional e performance. Do ponto de vista da cultura ancestral negra, quilombola, canto e dança são unos, dança-se cantando, canta-se dançando, o que lhe evoca como fenômeno corpóreo, permanece, como em sua raiz, imerso na dimensão do sagrado. No lugar de memória, o diálogo intangível se torna pela via dos sons, dos gestos, da palavra cantada, problematizando como a educação quilombola ao performar canto e dança, se sobrepuja uma educação que reexiste ao desnudar das memórias corporificadas, sempre vistas com medo e desconfiança (serve pra que?). Performar resistências e memórias é agir sobre elas, contrariando uma única história de dor e alijamento, imposições de uma vivência exclusivamente triste, ao ser ressignificada cria códigos simbólicos, linguísticos de prazer, que personificam identidades contra coloniais. Sobre a sonoridade e gestualidades do canto e dança busco evidenciar como o vocabular e o gestual, da ancestralidade afro-brasileira, em comunidades quilombolas do/no Território Velho Chico/Bahia/Brasil, refletem suas identidades, contornando opressões, sob forma do canto e dança (reisado, chula, capoeira, dança do baú, marujadas) performam resistência e reinvenção de si mesmos, um lugar de transmissão de seus saberes.