A MÚSICA E A DANÇA COMO UM MODO DE SE TERRITORIALIZAR
Palavras-chave:
Territorialização, Aiué, Quilombos, Música, DançaResumo
Neste estudo proponho refletir a premissa de que música e dança ou as formas em que as duas se inter-relacionam são modos pelos quais os quilombolas da Comunidade Remanescente de Quilombo Jauari, território Erepecuru (PA) utilizam como estratégia de territorialização. Essa estratégia se articula como forma de resistência, de organização social e de reafirmação étnica. O termo territorialização carrega em si vários significados e situações, capazes de representar o universo de possibilidades que a música e a dança acionam na vida social de diferentes sociedades, envolvendo diferentes aspectos sociais, seja enquanto praticantes ou apreciadores. Se territorializar, pela música e dança, significa uma atividade capaz de se configurar enquanto grupo étnico; de acionar identidades; de estabelecer formas de mobilização; de reivindicar um território; de promover situações festivas afim de manter, produzir e reproduzir a maneira como as tradições podem ser interpretadas; de criar um espaço de performance; enfim, territorializar condiz com uma realidade equiparada com a vida social, são modos de estar no mundo, construir lugares, e, mais que isso, constituir espaços sociais que se interligam proficuamente com a identidade. Para tanto, a análise do ritual do Aiué, por meio de trabalho de campo realizado durante períodos nos anos de 2017 a 2023, se mostra um evento significativo para compreensão desta reflexão.