“MÚSICOS SENTINELAS” DO ATLÂNTICO NEGRO: relações entre composição de canção e autobiografia na diáspora haitiana no Brasil

Autores/as

  • Caetano Maschio Santos Universidade de Oxford Autor/a

Palabras clave:

Migração, Haiti, Autobiografia, Canção, Atlântico Negro

Resumen

A socióloga Regine O. Jackson destaca a concepção da diáspora como “uma epistemologia, uma forma de conhecer o mundo” (2011, p. 8). Esse saber pode, é claro, assumir inúmeras formas: sabedoria prática, poesia, prosa, comportamento corporal ou, como frequentemente constatei em minha experiência com a diáspora criativa (CHALCRAFT & HIKIJI, 2022) haitiana no Brasil, canções/composições. A composição de canção é uma ação de natureza pessoal e íntima, no qual sentimentos, visões de mundo e leituras críticas da realidade são transformados em palavras, melodias, harmonias – em suma, sons semanticamente “carregados” –, e que representa também uma forma de agir no mundo. Nesta comunicação, defendo que a composição de canções de migrantes haitianos no Brasil oferece perspectivas únicas sobre a experiência da diáspora haitiana no país, com base em meu envolvimento mais profundo com o artista e compositor Alix Georges. Buscando contribuir para as discussões etnomusicológicas sobre as relações entre música, migração, etnia/raça (COLLYER & BAILY, 2006; SLOBIN, 1994, 2013; STOKES, 2020), defendo que a composição de canções de migrantes haitianos no Brasil nos apresenta uma epistemologia migrante/diaspórica do Atlântico Negro (GILROY, 1993; 2022), baseada nas narrativas/narrações (storytelling) autobiográficas de sujeitos em mobilidade (JACKSON, 2013; WILLIAMS, 2018) que frequentemente podem ser interpretados como músicos “sentinelas” (SHELEMAY, 2022).

Publicado

2026-02-04

Cómo citar

“MÚSICOS SENTINELAS” DO ATLÂNTICO NEGRO: relações entre composição de canção e autobiografia na diáspora haitiana no Brasil. (2026). ANAIS - Associação Brasileira De Etnomusicologia, 1(12), 1-19. https://eventos.abet.mus.br/teste/article/view/23